Pr. Jafé Chaves, 12 jan. 2026

O estudo é a pregação das Escrituras é o meio pelo qual o caminho da conversão, para os que não encontraram o Salvador, ou fortalecimento da fé, para os convertidos, é acessado pelo Espírito Santo para que as transformações aconteçam.

Ter um ritmo de estudo intencional, bem como uma rotina de pregação, considerando conteúdo, forma, método e outros aspectos, favorece o ambiente para o Espírito agir na conversão e transformação. Claro que este cenário também não é possível sem a intervenção divina.

Breve histórico

O povo de Deus tem usado o estudo sistemático da Bíblia há muito tempo. Desde o séc. V a.C., com o estudo da parashá que são as 54 porções semanais em que a Torá está dividida.[1] Depois, com a separação da igreja cristã do judaísmo, os primeiros cristãos acrescentaram os evangelhos e epístolas e, com o tempo, o que chamamos hoje de Novo Testamento.[2]

Poucos séculos depois começaram a usar lecionários, que eram um guia de leituras selecionadas (lectio selecta). Com a Reforma Protestante e sua ênfase na sola scriptura, houve uma série de adaptações e a igreja Anglicana começou a usar O Livro de Oração Comum (1549) onde os dias santos foram retirados e uma sequência de leituras do Antigo e Novo Testamentos foram sistematizadas, para que a Bíblia fosse lida por completo (lectio continua).

Embora as igrejas reformadas tivessem preferência pela lectio continua, fazendo um salto de séculos e considerando a igreja protestante de forma mais ampla, esse método foi dando lugar a sermões com pouca ou nenhuma conexão entre eles, geralmente feitos pela preferência do pregador ou considerando porções de mais fácil interpretação, sofrendo ainda os efeitos da pós-modernidade e sua tendência antropocêntrica.

Justificativa

David Larsen (1931- 2021) foi professor emérito de pregação no Trinity Evangelical Divinity School, em Illinois. Em seu livro Anatomia da Pregação (2005, p. 82), sobre a forma do sermão, ele afirma que

A seleção aleatória de textos e tópicos está fadada à monotonia. Ao pregarmos de maneira sistemática e ampla sobre todo o conselho de Deus, seremos mais aptos a refletir as profundezas da glória das Sagradas Escritura… Assim, a pregação moderna tem cada vez mais se tornado menos sistemática, deixando de lado a fulgurante e impressionante enormidade da revelação divina para lidar com trivialidades menores.

Além do cuidado com a forma, como mencionado por Larsen, a atenção ao método faz parte do cuidado com a apresentação das Escrituras Sagradas. A seguir, uma proposta de método para o evangelismo aos domingos.

Proposta

Muitos pregadores têm se dedicado a estudar a Bíblia em séries. Este método permite que o tema ou texto bíblico seja apresentado em mais profundidade do que apenas em um sermão. Podem ser divididas em três grupos principais:

  1. Séries Expositivas – são aquelas em uma seção do livro, geralmente com um texto longo é estudado gradativamente. Um exemplo é a série Feitos de Aço: o que Deus espera da última geração? (veja → aqui). Quando estudamos Ap 12 na primeira temporada e Ap 13 na segunda. Nos quatro capítulos de cada temporada estudamos alguns versículos, até completarmos a série.
  2. Séries Temáticas – quando estudamos vários textos bíblicos ligados ao tema ou assunto. Um exemplo é a última série de 2025, com o título Vingança: o que a Bíblia ensina sobre isso?
  3. Séries bíblicas – embora, na prática, toda série seja bíblica, neste modelo me refiro àquelas que se concentram em um livro da Bíblia. Ela não é expositiva, porque não se concentra em uma seção do livro, nem é temática, porque não percorre toda a Bíblia, mas fica restrita ao conteúdo do livro, buscando os temas principais abordados pelo autor ou a perspectiva do autor sobre algum assunto, dentro do livro. Por exemplo, a Lei em Gálatas ou Lições em Neemias.

Em 2026 vamos fazer algumas séries bíblicas – no sentido que vimos no ponto 3 acima. A primeira delas será Jesus: em Marcos (veja → aqui). Merrill Tenney (1904-1985), professor de Novo Testamento e Grego, sobre os Evangelhos (2008, p. 146):

Os evangelhos demonstram que a narrativa que prega sobre a vida do senhor Jesus tornara-se um tipo aceito de evangelismo e cristalizara-se em um padrão utilizado para instrução dos crentes.

Isso não mudou e o benefício do estudo está tanto para a igreja, fortalecendo a fé dos crentes, quanto para os que estão conhecendo e descobrindo a salvação. Estudar os evangelhos não é só compreender parte da vida e dos ensinos de Jesus, é descobrir o caminho que precisamos trilhar para a vida eterna e Reino de Deus, como os primeiros cristãos logo cedo perceberam e, para nosso benefício, escreveram, copiaram e espalharam, para que todos soubessem.

O objetivo da pregação em séries aos domingos é resgatar esse ideal de um estudo sistemático, com sermões expositivos, cumprindo também o papel de trazer respostas das Escrituras para dilemas e perguntas atuais. Vamos seguir mantendo o culto de domingo com seu propósito evangelístico. Sendo assim, o sermão, músicas, comunicação e todas as atividades terão os convidados como público-alvo.

PROPOSTAApresentação dos temas bíblicos através de sermões em série, expositivos, cristocêntricos e em uma sequência intencional de ações.
OBJETIVOS1) Evangelizar os convidados, interessados e eventuais visitantes, criando um ambiente favorável à comunicação do evangelho e aprofundamento dos laços interpessoais;
2) Aprofundar o conhecimento bíblico dos membros da igreja e fortalecer a fé e convicções espirituais;
3) Promover o envolvimento missionário.
PALAVRAS CHAVEEvangelho, Jesus, relações fraternais e missão.
METAS1) Alcança 5 convidados sistemáticos;
2) alcançar 10% dos membros ativos (278);
3) finalizar a séries com 2 novos estudos bíblicos.

Os preparativos para a série devem começar com um movimento de oração, em paralelo com os esclarecimentos da participação de cada ministério, junto com a divulgação pelos meios tradicionais e pessoais.

Minstérios envolvidos

  • Ancionato – coordena o ministério de oração e apoia, junto com o Pastor, os demais ministérios em suas atividades;
  • Comunicação – faz divulgações diárias, conforme calendário de publicações, e incentiva a divulgação pessoal dos membros;
  • Coordenador de interessados – responsável por mandar mensagens semanais para os convidados, conforme orientação do pastor;
  • Escola sabatina – os professores vão levar o tema apresentado na série para um lembrete de 2 min na classe, para promover o tema, relembrar os objetivos e enfatizar as lições da semana;
  • Min. de louvor – conduz a adoração, conforme temática semanal;
  • Min. pessoal – vai acompanhar o plano de ação e estratégia missionária da série com os grupos de estudo;
  • Recepção – mantém um relatório semanal do número de membros e convidados presentes e encaminhar as informações para o coordenador de interessados;
  • Som e imagem – monitora o som e fica responsável pelos slides e mídias durante o culto.

Calendário da primeira temporada

[1] Jewish Encyclopedia: parashah.

[2] Britannica: lectionary.

Referências: ADLER, C. e DEMBITZ, L. N. “Parashah” The Jewish Encyclopedia. www.jewishencyclopedia.com; ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA, INC. Lectionary. Chicago: Encyclopaedia Britannica, Inc., 2021. Disponível em: <https://www.britannica.com/topic/lectionary/additional-info#history>. Acesso em: 12 jan. 2026; TENNEY, Merril C. O Novo Testamento sua Origem e Análise. São Paulo: Shedd, 2008.

Jafé Chaves é pastor da Igreja Adventista do Sétimo dia há mais de 20 anos. Casado com a psicóloga e pedagoga Aline Damasceno e pai de Rafael, é bacharel em teologia e acadêmico de jornalismo. Recentemente tem se dedicado a publicar seus estudos dos sermões, como mais uma ferramenta kerygmática (da pregação) do evangelho.