
Ouça o devocional com Matheus Liberato
Rosh Hashanah
Trago comigo uma história marcada pela minha vivência na Beth B’nei Tsion (BBT) de São Paulo, lugar que frequentei desde os dez anos de idade, junto à minha família. Aquele ambiente foi fundamental na minha formação, não apenas acadêmica, mas espiritual.
Cresci envolvido em projetos e ministérios que sempre me aproximaram das Escrituras. A BBT foi uma comunidade que não só me acolheu, mas me direcionou, fazendo com que a fé fosse algo vivido cotidianamente. Nesse contexto, aprendi lições profundas sobre identidade, pertencimento e o valor do discipulado, entendendo que a caminhada cristã é feita em coletividade.
Ao ingressar na faculdade de Teologia, percebi ainda mais o significado de carregar a fé como um legado e responsabilidade. Vejo a importância de manter viva a tradição bíblica tanto como fonte de conhecimento quanto como norte ético e espiritual.
O que nos mantém firmes é o Livro — a Palavra de Deus. Não somos chamados apenas a decorar versículos, mas a internalizá-los e praticá-los, deixando que cada princípio seja transformado em atitude, relação e missão. Aprendi ao longo dos anos que o principal não está nas discussões periféricas ou em tradições humanas, mas na essência do evangelho: amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo.
Durante minha adolescência na Beth B’nai de São Paulo, participei ativamente das celebrações de uma data muito significativa, que traz lições profundas para nossa fé: o Rosh Hashanah.
O Rosh Hashanah não é apenas uma virada de calendário. É um tempo de reflexão sobre o ciclo da vida, sobre começo e recomeço, arrependimento e renovação. Expliquei que, na tradição judaica, este período é chamado de “cabeça do ano”, um tempo em que, diante de Deus, somos convidados a reavaliar nossa vida, fazer um balanço do que passou, nos arrependermos do que precisa ser mudado, e estabelecer novos propósitos.
Compartilhei como as liturgias do Rosh Hashanah envolvem orações especiais e o toque do shofar, instrumento que simboliza o chamado ao despertamento espiritual. Nos cultos, é comum pedir perdão, reconciliar-se com os outros, e buscar uma vida mais alinhada com a vontade do Eterno. São dias em que oramos por um ano de paz, saúde e prosperidade, renovando nossa confiança em Deus como Rei do universo e Juiz justo.
Rosh Hashanah marca o início dos Dez Dias de Arrependimento, que culminam no Yom Kippur, o Dia da Expiação. É um tempo de quebrantamento, mas também de muita esperança: cremos que Deus nos concede oportunidades de mudar, evoluir e começar de novo.
Na aplicação para nossa caminhada cristã, quero ressaltar como é importante reservarmos momentos regulares de revisão espiritual, reconhecendo nossos erros, buscando arrependimento e confiando na misericórdia de Deus. Assim como no Rosh Hashanah, somos convidados a despertar do comodismo espiritual, ouvir o “toque do shofar” no nosso coração e alinhar nossos planos ao propósito divino.
Desejo, então, que ao olharmos para tradições como o Rosh Hashanah, aprendamos a valorizar o tempo de Deus, o recomeço, e o chamado à santidade e reconciliação. Que possamos, em cada novo ciclo, celebrar não só as bênçãos, mas a oportunidade de renovar nosso compromisso com o Senhor.
